Chez Moi

Já vivia em Lisboa há uns anos quando comecei a chamar-lhe casa.

Curiosamente em Timor a coisa progrediu mais depressa. Convenhamos que viver numa comunidade tão próxima e familiar, que nos saúda a toda a hora e nos pergunta aonde vamos - baa ne'ebe, mana? - como quem diz "olá" nos ajuda a sentir que pertencemos àquele lugar. Dizer também que em duas semanas todas as pessoas do bairro sabiam o meu nome (é rara a pessoa que me chama mala'e, estrangeira, o que eu agradeço!), e olhem que ter um nome russo não facilita!

 

Isto para dizer que o "pesadelo da noite passada", mais especificamente da noite de Domingo, foi um susto valente.

No trabalho alguém bateu - terá sido sem querer?! - à minha janela e eu quase que podia jurar que tinha perdido umas gotinhas.

Andei aterrorizada, não dormi durante duas noites com medo de até - imagine-se - tomar banho, não fosse o gajo andar a espiar-me.

 

Os senhorios acham que o tipo mora ali perto e que tem rondado a casa.

Os amigos dizem que este não será um episódio singular.

E o meu housemate ainda não guardou o taco de golfe.

 

Hoje a matriarca da família e dona da casa veio falar comigo (estava noutro distrito e veio para Díli de propósito para tratar deste assunto).

Quis saber, antes de mais nada, como me sentia.

Pegou-me na mão e disse que ia reforçar a segurança da casa.

Depois pediu-me desculpa pela ignorância dos vizinhos.

 

Fiquei com a sensação que sabe quem é o desgraçado.

Eu, sinceramente, dispenso essa informação.

 

Antes disso o filho dela, que está em Portugal numa formação, ligou-me para saber como estou.

Estão preocupados, vão proteger-me.

 

Depois do susto, esta continua a ser a minha casa mas a minha família cresceu.

 

Aos amigos que se preocuparam, me ouviram, abraçaram, ligaram, enviaram mensagens...obrigada, batem forte cá dentro!

Reporter Timor às 02:12 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos