Entrevista da treta

O momento que se segue é da inteira e exclusiva responsabilidade das PRODUÇÕES-que-podiam-ser-FICTÍCIAS-mas-que-aconteceram-mesmo. Tenham por isso, medo, muito medo.

 

Ora bem, há uns meses quando andava à procura de emprego tive uma entrevista de trabalho com o “Tozé”, do Conversa da Treta. Bom, não era ele, mas andava lá perto. E a conversa que tivemos foi mais ou menos assim:

 

Ele: Não tive tempo para ver o teu CV, podes fazer-me um pequeno resumo do teu percurso?

Eu: Sou jornalista, licenciada e mestre em ciências da comunicação, nos últimos 5 anos trabalhei na RTP…

 

Nisto o “Tozé” levantou a mão como que a dizer “podes parar que já estou cansado”, obediente como sou calei-me, e vira-se ele para o outro:

 

Ele: Olha lá, onde é que conheceste esta miúda?

O outro: Eh…foi na festa do cicrano.

Ele: Eheeh tenho que começar a ir a essas festas!

 

(por favor, digam-me que conseguem ouvir a voz do “Tozé”! E que ali pelo meio até deram conta de um “oinc oinc” nasal.)

 

A entrevista continuou comigo a explicar o meu percurso profissional até que oiço o seguinte:

 

Ele: Mas afinal porque é que vieste para Timor?

Eu: Porque queria mudar de vida.

Ele: Não, isso não é verdade.

Eu: (Oi??)

Ele: Conta lá, o que é que te aconteceu? O namorado deixou-te no altar, tiveste um desgosto amoroso, o que foi?

 

Não me lembro do que respondi. Sei que mudei de posição com as mãos unidas, o que me permitiu respirar fundo. De resto, diria que a minha expressão facial já era informação suficiente. Mais à frente, o senhor volta à carga:

 

Ele: Espera lá, tu estás a querer convencer-me de que uma pessoa que trabalhou na RTP deixou tudo para trás para vir trabalhar para a minha empresa?

Eu: Não.

 

A entrevista chegou ao fim com este redondo e seco NÃO. Não sem antes, lá pelo meio, ele me perguntar onde raio encontrava eu maquilhagem em Timor! Entre outras banalidades que nada tinham a ver com o caso.

 

Foi, acima de qualquer coisa, e ao contrário do que possa parecer, um episódio divertido. Já não se fazem pessoas assim, daquelas que parecem acabadas de desenformar das mãos de um oleiro. Peças únicas, meus amigos! E eu, que tantas saudades tenho de ir ao teatro, até gostei de assistir a esta cena da primeira fila.

Reporter Timor às 02:22 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos