O Mercado

 

Nunca perdi nada. Uma carteira, umas chaves, um livro, um casaco. Nada, nadinha. Ontem perdi a carteira com 100 dólares e documentos vários num mercado megalómano, ou devo dizer caótico?, nos arredores de Díli.

 

Depois de um ano sem Zara e companhia (por favor, não me venham dizer que isto são coisas de gente consumista, é na verdade o desespero de viver num país com lojas chinesas a preços Versace!) resolvi ir a um mercado de rua, uma espécie de Colombo em barracas, à procura de uns trapinhos. Devo dizer que me especializei em assuntos de mercados de rua com mosquinhos - muitos! - e terra batida e lama e esgotos a céu aberto. Mas este mercado era O MERCADO, um mundo de trapos pendurados, caídos e em monte, e o coração batia-me descompassado.

 

Na hora de pagar um vestido, que acabou por ficar para trás abandonado (coitadinho!), nem sinal da carteira. Voltei atrás, chorosa, com a I. a dizer – e muito bem! – que não era o fim do mundo em cuecas (havemos de lá chegar, meus amigos!). 

 

E não é que uma senhora, a quem os 100 dólares fariam muito mais falta do que a mim, andava pelo mercado à minha procura?

Abracei-a e agradeci 327 vezes.

Ainda me disse "confirme se está aí tudo".

Disse-lhe que não era preciso, bastava aquele gesto e a honestidade tão presente, tão de gente séria e grande.

 

Timor e os timorenses sempre a surpreender!

Reporter Timor às 08:43 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos