A pergunta

Perguntava-me noutro dia a minha irmã: “mas tu não preferes trabalhar com portugueses?”.

Disse-lhe que não, que se tive a sorte de estar deste lado do mundo havia que aproveitar para beber de outras culturas. E, se possível, fazer diferente, fazer melhor (fazer! o que eu gosto deste verbo!). E aprender, muito, sempre.

 

Comecemos pelos timorenses para quem o futuro está todo por desenhar. Uma nação nova, um povo persistente e patriota. Só isto já me chegava para regressar a Portugal com um espírito novo. mas numa ilha com tanta (mas tanta, senhores!) nacionalidade, há muito mais para abraçar.

 

Senão vejamos, os australianos são gente muito dada à objectividade, o que há a dizer diz-se no  momento exacto e o assunto fica arrumado. gosto do sentido prático dos americanos, da pontualidade dos anglo-saxónicos em geral e do sentido crítico dos franceses, da comida italiana e da alegria dos espanhóis. Sim porque “ir de fiesta” é coisa que “me gusta un montón”. e depois, claro, os tantos portugueses que andam pelo mundo e trazem experiências e histórias que vale a pena ouvir. é muito agradável aquela sensação - de que os portugueses são uns poliglotas incomparáveis e com uma cultura geral muito acima da média. É certo que me dói um pouco perceber que nem toda a gente nos sabe encontrar no mapa, mas para isso é que cá estamos: para os orientar e mostrar o que valemos, na pior das hipóteses, à custa de queijo e vinho.

 

E de repente olhamos em volta e temos uma família do mais internacional que pode haver. Nesta metade de ilha, nação nova e cheia de vigor, nós, os “mala'e[i], escolhemos estar longe de casa para sermos livres mas depressa criamos raízes. E formam-se laços. E crescem amizades, e até amores!, para toda a vida.

 

Já vos disse que há quem diga que esta é a ilha do amor?

 

 



[i] Palavra em tétum para se referir ao estrangeiro, aquele que atravessa o mar para chegar à ilha de Timor.

Reporter Timor às 09:36 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos