Timoroan #1

Ou “O Timorense”.
É a nova rubrica na redacção.

Dei por mim a pensar noutro dia no desperdício que seria guardar só para mim o tanto que tenho aprendido com este povo. As coisas interessantes que me dizem e que, sendo tão simples, se revelam absolutamente surpreendentes. É, de facto, uma outra visão das coisas que eu acho que vale a pena conhecer.

O Timoroan de hoje é um artista a viver intensamente uma fase “Daliniana”. Está até previsto um evento para este Sábado “When Dali meets Marley”. E sim, estamos a falar do Bob Marley.

A conversa, embalada numa viagem de barco, começou com um esclarecimento: não nasci para peixe, o que eu gosto mesmo é de ter os pés colados à terra, esta vida de mar não é para mim (estamos a falar de uma pessoa que nasceu numa ilha em que, mais cedo ou mais tarde, todos pegam numa cana de pesca).

Dizia-me ele.

“Sempre achei muito curiosa a preocupação dos estrangeiros que vêm a Timor apresentar-nos o buraco do ozono e as mudanças climáticas como responsáveis pelo fim da vida tal como a conhecemos. Não percebo, é que as minhas montanhas continuam no mesmo lugar. Depois viajei, conheci outros países e percebi: vocês estão tramados, pá!, destruíram tudo.”

“Há uma coisa que nunca vou entender. Passo a vida a ouvir-vos falar em seguros de saúde, do carro, da casa, do telemóvel. A sério, eu não entendo e, confesso, farto-me de rir com essa malta que passa a vida a pagar para prevenir coisas que não aconteceram e nem sabem se vão acontecer. E deixam de viajar e de fazer coisas em família porque o dinheiro vai todo para essas empresas capitalistas que vos fazem temer tanto a morte e esquecer a vida. Vou-te dizer uma coisa: o próximo segundo é um mistério, a vida é um segredo por desvendar. Aceitem isso e vivam de verdade”.
Reporter Timor às 07:50 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos