O inquilino

O moço anda aí pelo mundo de bicicleta. Repito. Pelo mundo. De bicicleta. Mas ainda só visitou a Indonésia. Bom, e agora Timor. Por razões que agora não interessam, foi lá parar a casa e foi muito bem recebido (isto digo eu, mas sou suspeita) por gente boa e que, apesar de sentir trucidado o nariz sensível, foi bastante discreta.

A estadia já ia numa semana quando o moço resolveu botar prosa. Diz ele que isto de ser cooperante é uma grande sem-vergonhice de quem vem explorar os timorenses. Que os emigrantes não deviam receber nem mais um tostão do que o que recebiam no seu país, em especial os professores, esses pelintras que andam aí a atormentar criancinhas. E que trabalhar para o governo é para quem não tem valores.

Ora bem, meu amigo, atente no seguinte:

- As cooperações são pagas pelos países de origem;
- É senso comum que a malta emigra para melhorar as suas condições de vida (há quem venha trabalhar, há quem ande aí a pedalar por montes e vales como você.);
- Os professores, sim emigrantes e cooperantes (você fuja deles, que são um perigo!), não ganham uma fortuna. E Timor e Portugal partilham em metades iguais esta despesa “doida”(!) para educar putos;
- Quem trabalha para o governo, e que por acaso até vive na casa que o acolheu, tem tanto de valores e educação que lhe deu guarida, de comer e mesmo depois desta conversa o tratou com respeito e educação.

Agora ide em paz, na pedalada no senhor, e a dormir e a comer na casa de gente humilde. E tem razão, isso não é exploração mas parasitismo.
Reporter Timor às 01:33 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos