Lost

“Perdida” numa ilha sem TV e (até há bem pouco tempo) cinema a pessoa aqui virou-se para livros e música. Na praia, em viagens ou no alpendre aqui de casa a coisa correu bastante bem até que…pois, os livros acabaram.

 

Problema resolvido, sai um Saramago em castelhano. “La balsa de piedra” ou “A jangada de pedra” é uma obra que parte de um cenário utópico: a península ibérica separa-se da Europa, na sequência de uma ruptura na zona dos pirinéis e parte à deriva pelo oceano atlântico. Uma metáfora sobre uma Europa mais ética e o encontro cultural com o continente americano.

 

Mas o mais importante disto tudo, é que em castelhano ou em português Saramago não desilude. O estilo literário do nobel está inteiro ali, poupado nos pontos finais, nas quebras, nas exclamações e reticências por um lado, extravagante e simples nas descrições por outro deixa-nos ler como se estivéssemos a pensar. ou a ver.

 

Gosto de Saramago e da sua tradutora fiel, Pílar del Río. Quando a conheci em 2010, numa entrevista de mais de 1h, no Palácio/Biblioteca Galveias, emocionei-me. É que nem ele poderia ter escrito uma história de amor tão bonita. ou desenhar uma mulher - ele que sempre atribuiu o papel principal às personagens femininas - tão paixonada pela vida e, por isso, apaixonante.

 

Deixo-vos um excerto do livro que - atrevo-me a dizê-lo? - gostava de ter sido eu a escrever. O que será da (minha) Europa quando eu voltar?

 

“Es probable que cuando llegue ya no vea Europa, Si no la veo es porque nunca há existido, en definitiva, tiene entera razón Roque Lozano, que para las cosas existan son necessárias dos condiciones, que el hombre las vea y que les ponga un nombre”.

Reporter Timor às 12:36 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos