Timoroan #4

 

O post de hoje é sobre um não-timorense que viveu neste país tanto tempo que se tornou um cidadão local.

Um katuas, ou sábio, entre os estrangeiros.

Uma daquelas pessoas que todos conhecem e que todos duvidavam que algum dia partisse.

 

Acabei de lhe escrever uma mensagem.

Não foi bem uma despedida mas um agradecimento sincero e sentido:

 

"Ainda não acredito que passaste a tua última noite em Dili a trocar os pneus do meu carro com um sorriso nos lábios sabendo que seria a tua última oportunidade de ser feliz nesta ilha. e, ainda assim, estiveste lá quando mais precisei, a trocar e a encher pneus. Espero que agora esteja tudo bem. E que venham as caraíbas!!"

 

Não, este katuas não era uma pessoa próxima daquelas a quem telefono, com quem marco jantares e almoços e viajo pelo país.

Nunca tivemos conversas longas nem houve cumplicidade para partilhar experiências e histórias de vida. Dele sei o que espera do futuro, no caso as caraíbas, e só porque tenho a mania de fazer perguntas.

 

E nessa noite, engraçado, ele respondia-me com um riso que não pude interpretar na altura mas que dizia "que raio, estás a perguntar-me pelo meu futuro que chega, imagina tu, já amanhã. mas não, não te posso dizer que será a última vez que me verás". Nem era preciso. E agora que sei tudo, aquele gesto agigantou-se-me.

 

É que foi aquele "estranho" que esteve lá quando mais precisei, sabendo que iria partir, em segredo, no dia seguinte. Para nunca mais voltar.

 

 

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