O Lafaek

 

 

Este crocodilo (lafaek, em tétum) foi fotografado em Tibar no fim-de-semana passado por Carlos Martins, um assessor da segurança das Nações Unidas.

 

Idolatrado e respeitado na cultura timorense por ser o katuas, ou avô, o antepassado deste povo, o crocodilo cresce livre nestas águas. Aqui ele é rei. E se por acaso comer um timorense então o povo dirá que a vítima era má pessoa, vivia desonestamente e por isso o katuas o matou. Tanto assim que os pescadores, grandes sobreviventes, são tidos como as pessoas mais honestas desta terra. Pois se o katuas lhe poupa a vida é porque não tem pecados no currículo.

 

Quanto a nós, estrangeiros, vivemos com o medo de fazer mergulho ou chapinhar na praia e dar de caras com um respeitável crocodilo. Até porque, de tão grandes que os bichos são, as hipóteses de sobrevivência rondam os 0%. Por outro lado, dizemos entre nós que é imperativo ver um crocodilo antes de partir. Sim, ao vivo e a cores, com o sangue a pulsar-nos do coração e a pedir-nos para fugir.

 

Já ouvi relatos de crocodilos de 4 metros avistados na água. Seguidos, claro, de um grande "Urra!".

 

O lafaek é um mito. para eles mas também para nós.

Reporter Timor às 03:36 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos