Ganhar mundo

Quando compramos uma viagem a ideia principal é partir. podemos ir de comboio, de carro ou avião, a verdade é que só a meio da viagem nos dá ânsias de chegar. até lá, o que interessa é partir. esperei dois meses para marcar na agenda "mudar de vida" na página certa - 13/03/2012". havia tomado a decisão no dia de ano novo e tinha uma certa urgência em deixar-me ir pelo acaso. ou pelo destino. ou por ambos. escolhi Timor-Leste por uma série de razões que já não interessam porque não são mais as que me fazem querer ficar. 

 

Apaixonei-me por esta terra. assim, de caras. não foi a chegada ao aeroporto, nem a primeira viagem - assustadora! - pela cidade e muito menos a sensação-de-revisitar-a-vida-nas-ex-colónias quando entramos no Hotel Timor e há uma nuvem de fumo a percorrer as conversas de dezenas de portugueses. ali, onde fumar é permitido, o menu tem bacalhau e pastéis de nata. e se não é Portugal dá ares de sê-lo.

 

Procurar trabalho. primeiro passo de quem vem para ficar. o convite foi inesperado, a resposta óbvia. trabalhar no Arquivo & Museu da Resistência Timorense como consultora de comunicação. um projecto de preservação da memória histórica da resistência. um símbolo da democracia nacional. data de inauguração a 20 de Maio de 2012, no 10º Aniversário da Restauração da Independência.

 

Na véspera, regressava para casa já depois da meia-noite. tinha por companhia a rádio, onde tomava posse o novo Presidente da República, Taur Matan Ruak. ouvia-se o hino nacional e o futuro de uma nação inteira.

 

Timor, minha casa.

Reporter Timor às 11:36 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos