Quinta-feira, 28.02.13

E que Alegria!

No outro dia entre feijoadas e bitoques, num restaurante meio português/meio timorense, em Díli, ouvi-o, primeiro, e depois olhei para ele. Levantei-me em direcção ao televisor e o dono do restaurante veio atrás de mim com o comando na mão a aumentar o volume a pensar que era assunto sério. E era. O meu amigo S., que tem um talento incrível para comunicar, a televisionar' em horário nobre na Praça da Alegria.

 

E gostei. Muito! Keep going, S! xx

 

PS: Agora percebo o sucesso da RTP Internacional entre os portugueses na diáspora. E viva o serviço público!

PS2: Este "viva" quer na verdade dizer "por favor não o matem". obrigada.

Reporter Timor às 03:16 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Nómada

Pus o chapéu no dia em que o meu amigo D. me chamou, isso mesmo, nómada. Não foi insulto nem elogio. Atirou-me a palavra num momento em que eu falava como se tivesse asas. Algo absolutamente novo em mim. Este texto, contudo, veio apaziguar-me o espírito. Sou nómada sim, e parece que não estou só.

"Nós, os jovens portugueses, não escolhemos ser nómadas. Emigramos porque nos destruíram o oásis prometido e nos meteram num deserto de ilusões. Caíu-nos uma intempérie em cima. Não foi o dilúvio cinzento e tirano que afastou os nossos antepassados. Não. Esta veio em forma de brisa matreira, que a todos seduziu com sopros de bonança e logo os varreu com um vendaval de soberba. O furacão levou-nos tudo. De repente, vimo-nos sem madeira para as palhotas, sem sustento para a família, com a comunidade destruída e sem ocupação. Passámos a ser caçados, não temos quem nos cure e não conseguimos criar raízes. Nómadas, como antes."

O seu a seu dono, vejam o artigo na íntegra aqui: http://www.abica.pt/2013/02/16/nos-os-nomadas/.
Reporter Timor às 01:59 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

O Embaixador

Eu, que gosto de pessoas, e de histórias, vivo numa terra farta, entre outras coisas, em heróis anónimos. Há um ano a viver deste lado do mundo (sim, UM ANO sem ir a casa) conheci gente extraordinária, testemunhos vivos da história do país.

Uma das primeiras pessoas que conheci quando cheguei, e a primeira com quem tive uma conversa longa e impressionante, foi o Sr. S.. Na verdade chamo-lhe Kolega porque em tempos foi jornalista. Sediado em Londres, trabalhou para a BBC e para Reuters, teve uma vida que muitos, como eu, aliás, invejariam. Mas este Kolega deixou essa vida extraordinária para trás no dia em que Timor-Leste se tornou independente.

Assim, de um dia para o outro, uma decisão tomada com base num sentimento puramente altruísta: “a minha pátria precisa de mim”.

Ita Nia Rai, que em tétum significa “esta é a minha terra” foi a razão pela qual o Sr. S. regressou a Timor e recomeçou tudo do zero depois de ter estado, pelo menos a meu ver, no topo de uma carreia muito promissora.

Construiu por isso tudo de novo, sem olhar para trás, uma carreira nova, uma família. Por Timor e pelos timorenses. E esta história poderia terminar aqui e seria o bastante para acreditar que o Sr. S. é de facto boa gente.

Mas há mais. Este homem tem um projecto pessoal do qual não faz publicidade alguma mas que acredito que um dia lhe valerá um reconhecimento público genuíno. Melhor do que ninguém, ele sabe o que é ter a oportunidade de viajar, ganhar mundo, e depois regressar para o seu país com matéria-prima essencial para o seu desenvolvimento e progresso.

Este projecto pessoal consiste em enviar jovens timorenses para Inglaterra. Viagem paga, alojamento garantido no apartamento que comprou em Londres e o compromisso de regressar a Timor, ajudar a família, os vizinhos, o país. O Sr. S. acredita que cada timorense é um embaixador do seu país e que todos juntos podem, e devem, participar na sua construção.

Reencontrei-o esta semana. Como verdadeiros Kolegas, falámos de projectos pessoais e profissionais que na vida do Sr. S. são uma e a mesma coisa. Vive para Timor e com a nação a pulsar-lhe em cada veia.

Dizia-me ele: “sempre que falava do meu país as pessoas ficavam a olhar para mim, perdidas. Agora ofereço-lhes o meu business card, que no verso mandei imprimir um mapa de Timor-Leste”.

Planeamento Familiar

Em Timor a maternidade acontece muito cedo na vida das mulheres. É por isso comum que aos 20 anos as raparigas tenham cinco ou seis filhos. Diria mesmo que aqui essa é a ordem natural das coisas, já que a vida de cada um é estruturada em redor do conceito família. Por exemplo, quem tem uma vida socioeconómica mais favorável fica geralmente encarregue de outras crianças da família, as quais cria como suas durante toda a vida; os katuas, ou avós, são as figuras basilares da família e as suas opiniões, mais do que respeitadas, são lei; e sim, o facto de eu não ser casada nem ter filhos causa alguma estranheza.

Mas adiante. Dizia eu que com tantos filhos por casal não imaginava que houvesse planeamento familiar, pelo menos não tal como nós o conhecemos na Europa. Mas ele existe, de facto.

Soube-o porque a minha mana, a senhora que cuida aqui da casa, me enviou uma mensagem a dizer que hoje teria que faltar. O motivo: uma consulta de planeamento familiar. (Aqui vale a pena dizer que os meus básicos conhecimentos da língua local me fizeram dar mais atenção às palavras “planeamento” e “familiar”.)

Mas, afinal, em Timor-Leste a saúde materno-infantil é gratuita e universal. E a minha mana que tem 27 anos e, na melhor das hipóteses, a quarta classe sabe que é importante ir às consultas. Tanto quanto sei não está grávida mas de qualquer modo é bom saber que o país está a desenvolver-se, que as pessoas estão informadas e que têm acesso a cuidados de saúde que damos por garantidos nos chamados países desenvolvidos.

E a fé que tenho neste país que cresce de dia para dia e que cada vez me surpreende mais…
Reporter Timor às 00:38 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 21.02.13

Korkafé

Podia ser o nome de um restaurante, de um livro ou uma marca de café. Mas não. É a cor dos meus olhos, escrita em português antigo. Segundo a minha carta de condução timorense, estes olhos são Korkafé. uma forma poética para referir a cor de olhos mais comum entre os mortais: castanho. gostei.

Reporter Timor às 08:50 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 01.02.13

Avenida de Portugal, Díli

E quem é que me tira daqui, quem?!

Pois...



Reporter Timor às 10:11 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

A felicidade tem preço


Já vai pra um ano que as uvas me saem tão caras. as uvas e o queijo e a manteiga e os cereais e o leite...e tanta, tanta coisa!

5 dólares por umas uvas, senhores! vai ser uma chatice se forem amargas, ai vai vai...

Depois há as dragon fruit (à direita) e os ananases e as mangas e os abacates. produtos locais, desta estação, CHEIOS de sabor e doces, muito doces. a sério, em Portugal não há disto!! 

Mas enfim, as saudades de casa (também) dão nisto...


Reporter Timor às 09:18 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

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