Terça-feira, 30.07.13

Ouvido nos bastidores #3

"Ninguém ajudou os náufragos

Há dias que estão sem comer e beber."

Reporter Timor às 09:17 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Primeira Página #3

Entrevista do Primeiro-Ministro ao Bangkok Post.

 

 

 



Eis alguns excertos interessantes:

 

Poet, Pragmatist and PM


After spells as a jailed revolutionary and Timor-leste’s first president, Xanana Gusmao finds new satisfaction in the concrete achievements he can bring as prime minister. 

(...)

 

“I don’t know if it was destiny or if it was fate that I landed up in this position,” he admits. 

(...)


“We are looking with Asean members to set a roadmap to enter; we are not rushing for a full membership,” he admitted, adding that observer status would suit the country for now. 

But East Timor’s first president is not giving up on grander hopes and aspirations for his country. One big plus is the presence of oil, which has allowed the country to establish an oil fund with levies... 


“We have not gone as far as we would have wanted but the oil fund is there to help us,” he says, pointing to the copy2 billion in revenues the fund has amassed so far. 

(...)

 

"Mr Gusmao says it is now time for the younger generation to take control, although he feels some from his generation can still contribute with advice and oversight."

 

Artigo completo aqui: http://www.bangkokpost.com/business/news/362051/poet-pragmatist-and-pm

Reporter Timor às 02:34 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 29.07.13

Campeonato de culturismo em Díli

 

 

Há várias semanas que se ouve falar no campeonato de culturismo em Díli e de repente comecei a ver grandes bizontes (vocês desculpem a descrição tão visual) a correr na praia e a treinar no ginásio como se não houvesse amanhã.

 

O amanhã foi ontem. Metade de Timor estava no Timor Plaza para assistir ao espectáculo. Eu, confesso, fui lá almoçar depois do cinema e não me apeteceu juntar-me à multidão. Não é por nada, mas não percebo porque é que o Miss Timor foi cancelado por se considerar que não respeita a tradição e as mulheres timorenses mas depois ninguém vê problema nenhum em pôr 20 ou 30 homens de tanga besuntados de óleo no meio de um centro comercial onde passeiam famílias inteiras.

 

Posto isto, parabéns ao Alfredo Isaac, o justo vencedor do concurso que se fartou de treinar para ficar deste tamanho. Adoro a foto, especialmente a parte em que troféu lhe esconde as vergonhas. 

 

Reporter Timor às 04:02 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Directamente do Estádio Municipal, em Díli

Nunca assisti a um jogo de futebol da bancada, in loco, no estádio. Ou melhor, fui uma vez ao estádio mas para fazer a cobertura da final da liga feminina o que, naquele contexto específico, não me permitiu disfrutar ou não estivesse eu a tentar garantir entrevistas para gravar no intervalo.

 

Dizia eu que nunca assisti a um jogo de futebol, in loco, como se quer, coisa estranha para a "menina do papá" que acompanhava todos os jogos do Benfica e da Selecção Nacional. ah! e que adorava jogar futebol.

 

Mas adiante.

 

Sábado foi o dia. Sentei-me na bancada para apoiar Timor-Leste e sofrer as ânsias de quem queria muito que aqueles miúdos com menos de 15 anos e metade do tamanho dos jogadores da Tailândia vencessem.

 

Começaram a perder 0-1 para logo dobrar o marcador para 2-1. A maior parte do jogo foi passada na grande área da Tailândia e em menos de um minuto aqueles putos marcaram dois golos, assim, de caras. Fomos para intervalo a ganhar, o público em êxtase, os Tailandeses incrédulos e comigo a acreditar que sim, iam ganhar.

 

Chamem-lhes baixotes, magricelas, lingrinhas mas a verdade é que os putos são rápidos! o meu preferido, camisola número 19, era mesmo o mais pequeno em campo mas revelou-se um artista. Rápido, ágil e com estratégia de jogo. Também gostei o capitão de equipa, defesa lateral esquerdo (não sei porquê, os defesas são sempre os meus preferidos) que me pareceu um bom líder de equipa.

 

No fim, Timor-Leste perdeu. mas não foi com a sensação de derrota que saí daquele estádio. afinal, com o pouco apoio financeiro e - isto digo eu - a fraca preparação física, Timor-Leste foi grande em campo.

 

Diz que o próximo jogo é já daqui a duas semanas e eu vou lá estar, desta vez, com uma câmara fotográfica. que pena não ter fotografias desse dia grande. É, Sábado foi um dia para cima de espectacular!

Reporter Timor às 01:45 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 24.07.13

Não há coincidências

 

 

 

 

 

Na semana passada escrevi um post sobre o facto de os Indonésios chamarem Tim-Tim aos timorenses. Post esse que começava por referir Tintin.

 

Hoje, por acaso, descobri esta imagem que tem tudo: o Cristo-Rei, os GNR por cá muito famosos por tomarem esteróides, a Uma Lulik ou casa sagrada, o galo sagrado também, o porco que é tão comum nas ruas de Díli como os cães e um cão no espeto. Parece que o Milu do Tintin vai ser o pitéu do timorense aqui retratado.

 

Giro, giro!

Reporter Timor às 07:39 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Inception

"O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já."

 

Esta é a sinopse do livro que estou a ler. Viagem a Portugal, de Saramago.

 

Para mim, a Portugalidade como ponto de partida para o mundo. Um olhar atento sobre coisas banais, gente comum, lugarejos. É este olhar que não nos deixa adormecer. Porque se é verdade que a vida é feita das coisas aborrecidas que nos rodeiam, e que desprezamos na maior parte do tempo, também é verdade que é por elas que olhamos para trás.

 

Toda esta conversa para dizer que há novas viagens a acontecer todos os dias numa sucessão de começos. Não, não acredito em recomeçar. É tudo novo por aqui, minha gente.

 

Inception. a melhor palavra para descrever isto que sinto.

Reporter Timor às 03:35 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 23.07.13

Procuro

 

Há umas semanas durante o almoço num restaurante local fixei-me num rosto familiar. Ia jurar que estava diante de um colega timorense dos tempos da faculdade a quem, entretanto, perdi o rasto. Mas por vergonha, conheço tanta gente e de todos os lados, não lhe falei.

 

E parece que afinal era mesmo ele, certo é que agora com o cabelo pintado de loiro, mas não há dúvida que o rapaz de sorriso fácil é ele. Agora está casado, coisa recente parece, e voltou para casa finalmente.

 

Chama-se Vicente. E gostava de o ver, de falar com ele, saber o que é feito daquele miúdo tímido. Já não teremos a barreira da língua porque entretanto aprendi tétum e o português dele melhorou certamente ou não teria sobrevivido na imensa Lisboa.

 

Portanto, aqui fica a mensagem, procuro um Vicente de cerca de 30 anos, ex-colega na Universidade Nova de Lisboa.

 

Adoro reencontros e este pode ser bem especial!

 

Reporter Timor às 04:02 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

E se fôssemos cegos?

Em 2007 escrevi um artigo sobre racismo que tinha precisamente este título. Nunca chegou a ser publicado num jornal mas terminava com uma pergunta a uma das minhas entrevistadas:

 

- E se fosses cega, serias racista?

 

E ela, que admitia sê-lo efectivamente, ainda que com alguma vergonha depois de basicamente eu lhe ter dito que era ignorante, respondeu que não, não seria racista. A "doença", dizia, estava-lhe nos olhos.

 

Há racismo em Portugal, há-o em todo o mundo. Mas entristece-me profundamente ouvir as histórias das minhas pessoas de Timor, os meus colegas e amigos que tão bem me acolheram neste seu país (já lá vão 16 meses, bezádeus!).

 

Diz que há um professor de História da Cultura na Faculdade de Letras do Porto que humilhava os únicos quatro alunos Timorenses que tinha. Dizia coisas como "o vosso país não tem História!", "Xanana é a vossa história, o que é isso?", "em Timor não há projectores pois não, vocês não têm nada!".

 

Durante 1 ano foi assim. De um lado o professor que é o que se pode imaginar, um patêgo do pior!, do outro os colegas portugueses com conversas como "vocês não são como os africanos, pois não? depois do curso vão-se embora para a vossa terra e já não voltam, certo?".

 

Ouvi a história com lágrimas nos olhos mas convencida de que isto tudo aconteceu nos anos 80. Vá, no limite anos 90. Não, meus amigos!, foi em 2006. Felizmente houve uma família portuguesa que acolheu esta jovem na sua casa desde o primeiro dia acompanhando-a durante 5 anos, pagando-lhe a viagem de ida e o regresso para Timor, e que a envolveu de carinho não a deixando sentir-se só. 

 

Pela primeira vez em muito tempo, senti vergonha de ser portuguesa. Porque se isto acontece numa Universidade, imaginem como seria nas ruas daquele Porto bairrista. Imaginem como será ainda o preconceito nas cabeças de gente com menos mundo do que, pelo menos em teoria, um professor universitário.

 

E eis-me, deste lado do mundo, a ser tratada como uma irmã, às vezes filha, por gente que não tem - como poderia ter? - uma boa imagem dos portugueses de Portugal.

 

 

Reporter Timor às 01:46 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 22.07.13

Domingo e o cozido à portuguesa

 

Domingo é dia de cozido à portuguesa no Hotel Timor. E portanto é dia de ser uma portuguesa a sério e ir comprovar que os sabores da pátria continuam deliciosos. E a prova disso é que o restaurante estava cheio, de portugueses e não só, e houve quem repetisse uma e duas vezes, o que é bom de ver mas não de fazer ou lá se vai a dieta e o esforço de acordar às 6h da manhã para uma caminhada na montanha.

 

É, ontem também foi dia de ver o sol nascer lá de cima numa paisagem que nunca se esgota nem cansa porque todas as vezes parecem ter sido a primeira. Momentos únicos, nós e a natureza, nós e este Timor. Vida intensa esta.

 

Domingo teve cinema português e pôr-do-sol tropical.

(cineastas lusófonos, faxavor de retratar esta minha geração, vinde a Timor, andai por esse mundo fora, que isto não pode ficar por aqui, estes dias são muito mais do que uma sucessão de horas).

 

Um dia para matar as saudades e espreitar os próximos capítulos deste livro e diz que há viagens e novas aventuras a caminho.

Reporter Timor às 02:24 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 19.07.13

Alerta!

Diz que há um surto de dengue em Díli.

 

Contra os mosquitos, marchar, marchar!

 

E eis-nos chegados ao post número 100. Obrigada por fazerem parte desta aventura comigo.

 

muaaaa

Reporter Timor às 08:55 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 18.07.13

Tim-Tim

O post que se segue não tem nada a ver com as aventuras de Tintin, o repórter francês.

 

Acontece que durante a ocupação Indonésia o povo timorense era chamado de Tim-Tim e o Timor Português passou a ser denominado de Timor-Timur. Em indonésio (sim, as aulas continuam e foi aí que nasceu este post) "Timur" quer dizer "ocidental", uma palavra que tem a coincidência de se assemelhar a Timor. Vai daí Timor-Timur, mas não se pode dizer que soe bem...afinal, foram tempos conturbados.

 

Não consegui apurar se Tim-Tim tinha uma conotação positiva ou negativa mas o mais provável é ser negativa ou não tivesse sido esta uma ocupação invasora e violenta.

Reporter Timor às 01:42 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 17.07.13

Do tanto que (ainda) há para dizer

Sobre as coisas que dizemos aos outros como se a nossa boca estivesse colada ao nosso ouvido e assim ao coração.

 

Dizia ela:

- No dia 1 de Agosto vou voar desta terra e isso, em princípio, já não muda.

 

E eu repliquei:

- Então concentra-te no momento presente e esquece o que vai acontecer amanhã. Porque nesta terra não podemos viver de outra forma. E, já agora, aproveita tudo o que há para aproveitar porque é bem possível que este Timor, este de agora, que é teu, mesmo que voltes, nunca mais seja aquele que hoje estás a viver.

E acrescentei, como quem reconhece a própria fragilidade:
- Seria uma grande ironia ficares presa à terra da liberdade.
Reporter Timor às 07:22 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Ouvido nos bastidores #2

Disse-me ela: Antigamente a embaixada tinha cursos gratuitos de português mas, enfim, agora que não há dinheiro é que eles querem aprender!
Defendi: Bom, não é fácil aprender português. E o indonésio e o inglês, pelo contrário, são bastante mais simples.
E ela retoma: Para mim se não querem aprender português não são nacionalistas e acabou-se!
Eu: Então era este livro, por favor (de Saramago, por sinal).

Reporter Timor às 06:54 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Timoroan #8

- Sabe, professora (mas porque raio me chamam eles professora tipo sempre?!), as minhas filhas vão acabar agora o 12º ano. Pequena que parece que este ano não há bolsas de estudo para irem para Portugal. Era uma oportunidade...

- As suas filhas são portuguesas?

- Sim, toda a gente na minha família tem passaporte português! Fizemos questão!

- Então podem candidatar-se ao Ensino Superior, as propinas são no máximo x por ano e podem pedir uma bolsa de estudo. Tem família que as possa acolher?

- Tenho mas é longe de Lisboa, na rua %&$##, parece.

- Mas isso é em Lisboa!

- Parece que têm que apanhar dois autocarros e o metro, é muita confusão!

- Ora, elas irão adaptar-se num instante.

- Oh mas são meninas, as minhas meninas...

 

Com este discurso e ainda me espanto que me chamem professora!

Reporter Timor às 06:45 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 16.07.13

Primeira Página #2

Polícia expulsa 400 estudantes timorenses de edifício no centro de Dili

 

Cerca de 400 estudantes de várias universidades de Díli foram hoje retirados pela Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) de um edifício que ocupavam ilegalmente no centro da capital timorense.

 

Durante toda a manhã, um forte dispositivo policial cortou várias ruas da cidade e procedeu à retirada dos estudantes e dos seus bens do antigo Hotel Resende, situado junto ao Palácio do Governo e do Parlamento Nacional.

 

O Hotel Resende é um antigo estabelecimento hoteleiro português destruído nos incidentes de dezembro de 2004 em Díli.

 

O edifício estava ocupado por cerca de 400 estudantes de vários estabelecimentos do ensino superior de Timor-Leste, a maior parte dos quais residentes nos distritos do país, que se deslocam para Díli para continuarem os seus estudos nas universidades.

 

"A polícia tirou-nos à força. Não houve diálogo", afirmou à agência Lusa uma estudante timorense, de 23 anos, de Baucau, salientando não saber onde vai passar a noite.

 

No local, algumas dezenas de populares assistiram à operação que decorreu sem incidentes, com exceção de alguns estudantes mais resistentes, que foram obrigados a sair do edifício pela polícia.

"O Governo decidiu tirá-los daqui porque estavam a entrar bandidos e à noite estavam a atirar pedras aos carros", disse um homem que assistia à operação da polícia.

 

A operação foi organizada pelo comandante do Comando Distrital de Díli, Pedro Belo, que afirmou que a polícia se limitou a executar uma resolução e que a "operação decorreu com toda a normalidade".

 

O administrador de Díli, Gaspar Soares, explicou à agência Lusa que os estudantes estavam a ser notificados desde o ano passado para abandonarem aquelas instalações degradadas, sublinhando que falou "muitas vezes" com os jovens.

 

"Já falei com os estudantes muitas vezes. A propriedade é do Estado e as pessoas não podem ocupar ilegalmente as propriedades do Estado. Estavam a ser notificados desde o ano passado", disse Gaspar Soares.

 

Segundo o administrador de Díli, o edifício vai ser entregue ao Banco Central de Timor-Leste, situado ao lado.

Centenas de estudantes universitários timorenses provenientes dos distritos vivem em Díli em habitações precárias ou em casa de familiares.

Reporter Timor às 09:04 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Primeira Página #1

Timor-Leste é o país da CPLP que mais cresceu, em 7 anos - INE

Timor-Leste foi o estado-membro que obteve a maior taxa de crescimento do PIB entre 2003 e 2010, um breve retrato estatístico dos membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLCP), disponibilizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE, Portugal). O Brasil destaca-se como a maior economia, representando 87% do PIB total da comunidade.

Segundo o estudo, Timor-Leste registou uma taxa de crescimento médico anual do produto interno bruto (PIB) de 17,2 entre 2003 e 2010, ficando à frente de Angola com 13,3, Moçambique com 7,4 por cento e São Tomé e Príncipe que cresceu 5, 6 por cento neste período. Este valor está em grande parte ligado ao grande crescimento anual das exportações em Timor-Leste (32,7 por cento), impulsionadas pelo petróleo e pelo gás.

Timor-Leste é, aliás, o país da CPLP onde o ramo de actividade da indústria, energia e construção apresenta maior peso em relação aos restantes.

Este forte crescimento contrasta com o que se passou em Portugal, o último nesta lista, com uma taxa de crescimento anual de 0,7 por cento.

(...)

Se a CPLP fosse um país, tendo em conta lista colocada na internet pelo Banco Mundial, em 2010 teria o sexto maior do mundo.


Artigo completo aqui: http://www.lusomonitor.net/?p=1014
Reporter Timor às 08:45 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Santinho!

 

Espirro muitas vezes e raramente consigo ser discreta. Imagino que por educação - se é que é possível fingir que não me ouviram espirrar - os meus colegas nunca me dizem nada. Julgava, sou sincera, que a ser o caso me diriam - santinha! Se bem que não consta que tenha havido peste em Timor que é daí que vem a origem do "santinho" português, que os anjos te protejam, o que só por aculturação teriam adoptado a expressão.

 

Boot lalais, é o que se diz em Timor.

Ou cresce depressa, torna-te o katuas, envelhece e torna-te sábio.

 

Quando eu for grande quero ser o katuas, o velho, dirão as crianças timorenses. E assim se dá conta de uma diferença abissal entre estas duas sociedades, os portugueses ou ocidentais que querem atrasar o envelhecimento a todo o custo, os timorenses ou asiáticos que aspiram à sapiência e estatuto social que lhes vem, apenas e só, do tempo que passa.

 

"Na verdade o que ele ouviu foi. Ainda não chegou o nosso tempo" (isto foi só porque me apeteceu citar Saramago)

Reporter Timor às 03:13 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Preço Malae'e

 

O meu senhorio viveu em Lisboa nos últimos quatro, cinco meses.

Telefonou-me ontem para por a conversa em dia. Diz que adorou Lisboa, uma cidade muito bonita, que as mulheres - ui! - uma beleza, ficou até muito amigo de uma pessoa da minha terra que ele já sabia ser gente boa (fofinho) mas que, enfim, não trocava Timor por um país onde tudo é tão caro.

 

Oi?! estive a um isto de lhe dizer que viver em Díli é significativamente mais caro, que os preços são absurdos e tal coiso, até me ocorreu que ele tinha insandecido. Mas calei-me a tempo, no preciso momento em que me lembrei que ele é um cidadão nacional e eu a estrangeira. Teria eventualmente que lhe lembrar da discriminação que há para com os estrangeiros, os preços inflacionados e o trabalho que me dá negociar tudo e as vezes que deixo fruta local e da época para trás porque me pedem 4 dólares.

 

Não é que em Portugal os preços sejam justos, em especial agora, mas há regras, preços de mercado que não flutuam consoante as caras das pessoas. E essa é uma justiça de que sinto falta. Essa coisa de ser um cidadão igual aos outros, sem discriminação negativa ou positiva, porque também a há e não é pouca.

 

Preço malae'e la bele! - digo-o tantas vezes.

Segunda-feira, 15.07.13

Crónica de fim-de-semana

 

Domingo.

 

Praia da areia branca.

 

Solidão e um livro ao pôr-do-sol.

 

Perfeito. Até que cheguem, como aliás vem sendo hábito, os motoqueiros de Díli. Os degraçados continuam a atravessar a cidade em direcção ao Cristo Rei numa barulheira e velocidade infernais. Bem sei que é pouco provável, mas aquilo mais parece um protesto religioso. Ou então estão só aborrecidos.

 

Valha-nos o sol.

 

E é isto, mak nee deit.

Reporter Timor às 05:17 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 12.07.13

Burro velho aprende línguas

Sempre achei que por esta altura da minha vida já tivesse consolidado as línguas necessárias à minha sobrevivência económica, intelectual e cultural. O que é o mesmo que dizer que falaria fluentemente italiano e que já teria perdido a mania de confundir palavras francesas com espanholas no meltingpot ridículo que se tornaram as minhas conversas.

 

Dou por mim a falar tétum e a aprender indonésio e a perceber que esta coisa de aprender línguas, não interessa quais, nos exige a fazer continuadamente associações entre umas e outras.

 

Dou um exemplo. Teria sido muito difícil aprender indonésio sem ter passado pelo tétum primeiro. Não necessariamente por haver palavras semelhantes, que não há, mas pela estrutura e lógica de pensamento.

 

Frases gugu-dáda:

Nama saya T. (Nome. Eu. T.)

Makan siang (comer hora de almoço)

 

Repitições ou era-mesmo-isto-que-eu-queria-dizer:

Baik-baik (muito bem)

 

Dizer também que para dizer "me" se usa "ku".

 

Malan ini sampai di sini.

ou: hoje ficamos por aqui.

 

Terima kasih.

Obrigada.

Reporter Timor às 08:37 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

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