Sexta-feira, 31.01.14

Japão #2

E agora um post feliz.

 

Hiroshima meu amor foi um filme que vi há muitos, muitos anos, nas cadeiras do liceu. Na verdade o título era Hiroshima mon amour, lá do país da baguete!, e devo dizer que por razões completamente opostas este poderia ser igualmente o título da minha passagem por aqui. 

 

Não sei se foi o Natal ali passado, tão em paz senhores!, se foi a tatami room (quarto tradicional japonês), se a ilha Miyajima, se as ostras (prato típico da terra), eu sei lá...podia ficar aqui dia e meio nesta prosa. Amei Hiroshima!

 

Comecemos por Miyajima, a primeira aventura em Hiroshima, dica de um brasileiro-japonês que conhecemos no Hana Hostel que, diga-se de passagem, é um Hostel muito simpático e barato.

 

Chegámos de barco e portanto vimos este monumento, a grande atracção da ilha, de outra perspectiva. Assim de repente, a ilha não teria muito mais do que aquilo - pensei - e enganei-me. Em pleno Natal, tínhamos renas por toda a parte, uma rua cheia de petiscos, templos vários, um parque florestal para descobrir e um sossego difícil de explicar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De volta à cidade, fomos visitar o A-Bomb Dome. Era a antiga perfeitura da cidade e após a bomba atómica ficou assim. Com uma cidade destruída, os habitantes de Hiroshima puseram mãos à obra por vários longos anos e as opiniões sobre este edifício dividiam-se. Havia os que entendiam que tudo o quanto eram vestígios de destruição deveriam levar chá de sumiço, outros achavam que era importante manter esta memória viva, pela paz. Ganhou a segunda opção e por isso este edíficio ir-se-á manter erguido para sempre.

 

 

Apesar do sofrimento causado por esta tragédia, Hiroshima é uma cidade linda, em paz, que continua a lutar pelo fim das armas atómicas. Daqui já saíram centenas de cartas, muitas delas dirigidas a Barack Obama.

 

 

Ostras às 10h da manhã. Recomendo!

 

 

No Hiroshima Memorial Peace li uma coisa absolutamente nova para mim: a história da bomba atómica.

 

Tudo começou com a fuga de Einstein para os Estados Unidos que, sabia-se, andava a trabalhar numa bomba incrivelmente potente. Daí até os EUA terem em sua posse duas bombas foi um passinho. Mas desengane-se quem pensa que as ditas cujas foram construídas para cair sobre o Japão ou sobre Hiroshima ou sobre Nagasaqui. Organizou-se uma conferência entre vários países para decidir em que solo se deveria usar este 'brinquedo' e com que objectivo.

 

A Rússia estava disposta a juntar-se à guerra como aliada mas, pelo que percebo, não estava muito entusiasmada com sangue, suor e lágrimas. Vai daí, ficou a promessa, larga-se a bomba e no dia seguinte a Rússia declara guerra ao Japão para obrigar o país a render-se. Nesta conferência decidiu-se não dar pré-aviso e foi assim que, inesperadamente, e porque o sol brilhava sem nuvens em Hiroshima que esta cidade sofreu a maior catástrofe de sempre naquele dia fatídico. Isso e o facto de não haver ali presos políticos. 

 

Como se sabe o Japão rendeu-se e os EUA ocuparam o território com a missão de manter a paz. Para quem se interessa pela história, recomendo que vejam O Imperador, de Peter Webber.

 

 

 

Depois disto, caramba!, era Natal. Fiquei com a impressão de que a época natalícia não tem um impacto muito grande para os japoneses que continuavam nas ruas, às 23h, regressados de um dia de trabalho ou que a beber entre amigos num bar, sem stress, sem compras.

 

E foi aqui (não é exagero nenhum dizê-lo) que vivi o melhor Natal de sempre. 

 

 

Antes da nossa partida, a visita ao castelo da cidade que foi reconstruído após a bomba atómica.

 

 

 

 

 More to come!

 

Reporter Timor às 04:58 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 29.01.14

Sobre os dias difíceis

 

Isto de estar longe de casa, de fazer coisas absolutamente novas todos os dias e de viver intensamente é tudo muito bonito mas depois há os dias em que estar longe é sinónimo de estar, ou sentir-se, completamente só. E esta coisa de ser nómada deixa de ter tanta piada.

 

Acabei de ler uma reportagem sobre os portugueses que partem, sobre esse momento derradeiro que é todo lágrimas e sofrimento. Devo confessar que não consegui ler todo, a terceira parte fica para outro dia. 

 

Aqui: http://www.dn.pt/revistas/nm/interior.aspx?content_id=3653337

 

 

 

Reporter Timor às 06:19 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Sobre os dias difíceis

 

Isto de estar longe de casa, de fazer coisas pela primeira vez e viver tudo isso intensamente é tudo muito bonito mas depois há os dias em que estar longe é sinónimo de estar, ou sentir-se, completamente só. E esta coisa de ser nómada deixa de ter tanta piada.

 

Acabei de ler uma reportagem sobre os portugueses que partem, sobre esse momento derradeiro que é todo lágrimas e sofrimento. Devo confessar que não consegui ler todo, a terceira parte fica para outro dia. 

 

Aqui: http://www.dn.pt/revistas/nm/interior.aspx?content_id=3653337

 

 

 

Reporter Timor às 06:18 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 23.01.14

Japão #1

Há dois anos longe de casa, queria um Natal com frio. De caminho, achei que fazia sentido trocar o bacalhau pelo sushi e o vinho pelo sake. Decididamente, precisava de férias e de desenvolvimento. Destino: Japão.

 

Preparam-me para gastar 100 dólares por noite em alojamento, para comprar um passe de 400 dólares para as deslocações de comboio e para não encontrar uma alminha que falasse inglês. Em suma, o cenário apresentado era de que iria ficar na penúria, muitas vezes perdida, mas que sim, confirmavam, era a viagem da minha vida. Da nossa, que isto sozinha não teria graça! Surpresa das surpresas, foi quase tudo ao lado. Encontrámos grandes pechinchas e houve muita alma caridosa disposta a saltar da sua bicicleta para nos dar informações num inglês, vá, aceitável.

 

Comecemos por Fukuoka, onde chegámos de noite. No aeroporto uma estreia: tiraram-nos fotografias e impressões digitais. Mais difícil foi explicar que não tinha reservado hotel, dada a insistência lá dei o nome de um Hostel que vinha no Lonely Planet. A conversa foi mais ou menos assim:

 

- Speak Japanese?

- No, can we go on in english?

- Where you stay? Hotel?

- I don't know yet.

- How long (will you stay) in Japan?

- 17 days.

- Uh...Hotel?

- As I said, I don't have one yet.

- Ok, your Hotel please?

 

Menti. E eles perceberam mas não me podiam deixar passar sem a desinformação prestada e, contente da vida, fui à minha vida. Depois disto, debaixo de uma chuva miúda, aprendemos que no Japão o booking é obrigatório.

 

Mas os nossos amigos japoneses foram solidários, a começar por um casal fofinho muito embriagado que ficou uma eternidade a consultar o google maps no próprio telemóvel à procura do hotel (aquele mesmo que indiquei ao polícia de emigração) mas continuámos perdidos. Mais à frente, um homem escreveu uns caracteres japoneses no telemóvel (eu já a dizer mal da minha vida) para nos mostrar a tradução: far away. A sorte foi termos encontrado três amigos dispostos a caminhar connosco em direcção ao hotel que, maldita sorte, estava lotado.

 

Depois da chuva, os avanços e recuos numa cidade já adormecida, do pobre taxista (esse sim, não percebeu nadinha do que dissemos) que dispensámos porque ele seria incapaz de dizer que sim, estava perdido, lá encontrámos onde ficar. Foi o hotel mais caro mas não o melhor de toda a viagem, ainda assim, acessível. 

 

No dia seguinte fomos ao cais, vimos o mercado do peixe, comemos e comemos e comemos. E esse foi só o princípio de uma grande aventura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No próximo post, Hiroshima, a minha cidade nipónica preferida.

 

Reporter Timor às 05:41 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 21.01.14

Chá de sumiço

Algumas coisas lá em casa levaram chá de sumiço.

Primeiro achei que não devia chatear-me. Depois resolvi ligar para a secção de perdidos e achados que, apesar de nao ter suspirado qualquer lamento pelo sucedido (se calhar não deve ser novidade), pôs-se em acção.

 

As almofadas estão de volta, venha o resto.

 

Já agora, a quem interessar: saudinha da boa, sim?!

Reporter Timor às 05:38 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 20.01.14

Ondas, senhores!

Pára tudo. Há ondas em Timor.

 

Não sei como é que está a praia da areia branca que, em regra, mais parece um charco imundo (perdoem-me os aficcionados, só lá vou para o pôr-do-sol), mas na praia do cemitério é a loucura. Ao ponto de ficar na dúvida se a malta estava a olhar para os malae'e mutin de fato de banho ou a antecipar uma tragédia. O mar não está para brincadeiras, com excepção do surf, kitesurf e outros que tais.

 

Já agora, e uma vez que o impensável aconteceu - há ondas, caramba! - dá pra dizer a esta malta que é feio ficar a olhar? A sério, nunca hei-de perceber. 

 

Reporter Timor às 02:50 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 16.01.14

No trabalho

A UPS dispara: TUMTUM, TUMTUM.

 

Alguém pergunta: credoo que é isto?.

 

A resposta: é o meu coração.


No post anterior esqueci-me de dizer duas coisas importantes. Adoro o meu trabalho. Adoro a minha equipa.

Reporter Timor às 03:25 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

7 anos!

Tudo começou em Janeiro de 2007. Num dia a entrevista, no outro mãos à obra. Eram 6h45 da manhã e lá estava eu, pronta para o desafio "think out of the box", era o primeiro dia de um trabalho inesperado para mim que ainda não tinha terminado a licenciatura e não trazia outra experiência que não a de ouvinte. Realizava-se, assim, o sonho da rádio.

 

Foi há 7 anos que tudo começou e depois da televisão, dos riscos que corri para trabalhar no estrangeiro, eu não podia estar mais feliz com o resultado de tanto esforço, dedicação, noites que não dormi, férias que não tirei, a família para quem tantas vezes não sobrou tempo.

 

Comecei a minha carreira em 2007, ano em que a crise chegou a Portugal. Faço, por isso, parte da primeira geração de portugueses que, apesar de altamente qualificada, tem salários inferiores aos dos seus pais. Uma geração que tem medo de comprar casa, constituir família ou de perder o emprego. No entanto, não foi isso que me fez abandonar o meu país mas a vontade de fazer melhor, de arriscar, de ganhar mundo. Correu bem. Foi trabalho, foi sorte e foi persistência.

 

Emigrada, finalmente sei o que é assinar um contrato, redigir um pedido de férias, viajar. Ainda não sei o que é ficar doente e faltar ao trabalho, é coisa que não me assiste, mas aprendi a esquecer o telemóvel em casa, a não consultar o email, a desligar.

 

Assim de repente, lembro-me de três pessoas absolutamente determinantes no meu percurso profissional e a quem agradeço do fundinho do coração: ao Pedro na rádio, ao Ângelo na televisão e à Tania que me deu a oportunidade de ficar em Timor. Mas há mais!

 

Venham mais 7!

 

Reporter Timor às 00:53 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 15.01.14

No princípio era o verbo

 

Ir.

 

- Onde vais?

- De onde vens?

 

Depois surgiu este:

 

Morar.

 

- Onde vives?

- E com quem?

- Quanto é que pagas de renda?

 

Na Ásia o provérbio "a curiosidade matou o gato" é inexistente.

Reporter Timor às 05:17 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

A borbuleta

Entrei no edifício e ela entrou comigo. Atravessei o corredor e ela acompanhou-me. Abri a porta e ela poisou em mim.

 

Não sei quanto tempo ali estivemos, ela no meu peito, eu a sacudir levemente. Até que voou mas não saiu. Continua ali, à porta do gabinete, persistente, sem se deixar perturbar por quem passa.

 

Os meus colegas mencionaram dois significados: sorte ou a visita de alguém importante. Dizem que é coisa séria, assim a valer. E até calha bem porque hoje estou um bocadinho precisada de sorte. E se alguém me quiser visitar também é bem-vindo!

 

 

Reporter Timor às 00:30 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Bom dia!

"Ó Malae'e diak ka lae?"

 

Nunca gostei - e não gosto, não se ponham já com ideias! - que me chamem Malae'e. Talvez por não me sentir estrangeira ou por isso me fazer lembrar, não sei bem porquê, o L'étranger do Camus.

 

Mas hoje, só hoje, teve piada.

Foi a rima? foi a expressão do homem?

Fez-me sorrir.

 

Isso e eu "atravessar" a cidade a dizer bom dia a quem passa, a quem está, só porque sim. Na Europa diriam que ensandeci, aqui ouvem a minha voz e - se não olharem - pensam que sou de cá. 

Reporter Timor às 00:05 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 10.01.14

Shanghai

 

Passagem em Shanghai (ou Xangai, na versão portuguesa), na China, durante dois dias antes da grand entrance no Japão. Diz que é a maior cidade da China e o maior centro comercial e financeiro da China continental sendo um exemplo do vigor da economia do país. Isto é que o se diz, aqui fica o que eu vi e vivi.

 

 

É uma cidade linda, até mesmo com a cortina de poluição. Uns dias antes da minha chegada, o Consulado-Geral de Portugal em Xangai tinha feito este alerta:

 

"Atendendo à severa situação de poluição atmosférica em Xangai e aos possíveis riscos para a saúde pública, o Consulado-Geral de Portugal em Xangai recomenda a todos os portugueses, residentes ou de passagem, a utilização de máscaras na rua e a tomada de particulares precauções, designadamente restringindo tanto quanto possível a saída para o exterior de pessoas pertencentes a grupos de risco, em particular crianças, idosos, grávidas e doentes do foro respiratório. "

 

 

Pudong de dia e de noite.

 

 

 

Mao Tsé-Tung. A estátuta, os livros e o mercado de rua.

 

 

 

 

 

 

As pessoas, os chineses que vivem em Shanghai.

 

 

 

 

 

Pastéis de nata ou Egg Tart. Também em pêssego, banana e queijo.

 

 

E os dumplings! O preferido desta viagem degustação.

 

 

 

Só por isto, era menina para viver em Shanghai. Molha-se em vinagre e é qualquer coisa de espectacular.

 

Posto isto, fica a promessa de ir conhecer a grande China em breve, Beijing, Maucau Hong Kong...há muitas Chinas para descobrir.

Reporter Timor às 03:53 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 08.01.14

Na terra dos sonhos

Por Jorge Palma.

 

"Se queres ver o mundo inteiro à tua altura 
Tens de olhar p'ra fora sem esquecer que dentro é que é o teu lugar


(...)


Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal 
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual 
Na terra dos sonhos não há pó nas entre linhas, ninguém se pode enganar 
E abre bem os olhos, escuta bem o coração se é que queres ir para lá morar"

 

Reporter Timor às 02:31 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 07.01.14

Feliz 2014

 

Estamos de volta!

Preparem-se para mais novidades - tantas já a caminho!

Vem aí mais Timor e mais Ásia.

 

Obrigada por estarem desse lado.

 

Reporter Timor às 04:42 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

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