Segunda-feira, 28.04.14

Sobre a morte

Vivo num país onde se morre todos os dias, vezes demais para um emigrante não se dar conta. Estradas cortadas que dão passagem a largos cortejos, choros que nos acordam certa noite e que continuam durante um mês, na casa ao lado, em cujo quintal por vezes se celebra o enterro.

 

Enterro que não acontece até que os familiares estejam todos presentes mesmo que isso implique esperar meses pelos que moram do outro lado do mundo. Depois vêm os rituais para "despertar o morto", a recolha da família um mês depois e a festa, a grande festa do desluto, passado um ano, em que os familiares trocam o preto por cores intensas.

 

Há um mês morreu um jovem português, da minha idade, em Díli. Acidente. O hospital nacional não tem câmaras frigoríficas e aqui não há caixões blindados, requisito fundamental para se enviar um corpo por avião. O que significa que a família, em Portugal, esperou 15 dias até que fosse possível levar aquele filho, irmão, neto de volta a casa.

 

Na semana passada a morte de outro emigrante. O enterro teve lugar num cemitério em Díli, na presença de alguns amigos.

 

Não conheci pessoalmente nenhuma destas pessoas. Mas estas mortes, mais do que as suas circunstâncias, fazem-me pensar no quão mais difícil ainda se poderá tornar a perda de alguém que se ama. E a frase que ficará para sempre - foi morrer tão longe da família.

Reporter Timor às 06:43 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 25.04.14

Percebes que precisas messsssssmo de férias

Quando o momento alto do dia foi a descoberta de courgette à venda.

Yeap, that bad...

 

E dois anos depois... 

 

 

Espero que a Catarina, leitora deste blogue que em breve se porá a caminho da ilha, não se ponha a trazer legumes na mala que a malta da alfândega pode não gostar muito da brincadeira :)

Quinta-feira, 24.04.14

Bisnis

Um português, um indiano e um indonésio em conversa sobre o sector privado em Timor: diz que é difícil, que o investimento vem do Estado e a coisa demora, que há promessas vãs e resultados, por vezes, nenhuns.

 

Vai daí, perguntam ao indonésio:

 

- Qual é a vossa estratégia? Como é que conseguem vencer?

- Assim (aproximando-se): do que é que precisas? Arroz?! Eu levo arroz para tua casa. Precisas de mim?! Liga-me a qualquer hora e resolvo-te os problemas. Olha para mim a sorrir para ti! E a abraçar-te! Somos amigos pra' vida, não somos? 

 

(e continuou...)

 

- Aqui os portugueses enviam cartas, que se perdem, e esperam uma vida por respostas. Nós vamos lá, falamos com quem está, fazemos amigos e depois vamos subindo a escada.

 

 

* Bisnis. do inglês business. mas em indonésio.

Reporter Timor às 01:54 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 23.04.14

Barça, um fenómeno em Timor

Depois de ver um carro todo kitado com a cruz suástica (sim, aqui mesmo na ilha!), isto é pra' meninos.

Mas não é caso único. 

 

 

 

Emigrante tuga sofre

Terça-feira, 22.04.14

Diogo Morgado

 

 

Ou a grande atracção desta época festiva em Díli.

 

Legendado em indonésio.

Reporter Timor às 06:04 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Páscoa de ló

 

Na falta de amêndoas e folares...

 

Feito em casa.

 

Sim, mãe, a sério que fui eu que fiz.

 

Reporter Timor às 02:40 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 17.04.14

Episódios de uma páscoa sem chocolate

Na rua ouve-se chamar tipo assim de 20 em 20 segundos:

- Mister, mister!

- Miss, pá, miss!

- Good after.

- After eight?

PS: Por cá um pacotinho de amêndoas custa pra' cima de 10 dólares e os correios atrasaram a encomenda da mamãe.
Reporter Timor às 02:39 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Conversas em tétum

- Mas afinal o que é que se passa com o ar condicionado?

- Olha, calor.

Certoooooo
Reporter Timor às 01:45 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 16.04.14

Sempre a subir

A primeira vez que subi uma montanha, assim a sério, foi aqui. Comecei pela mais difícil, o Matebien, em 2012, e foram 9h muito bem passadas. Vai daí, tomei-lhe o gosto. Vira e mexe vou lá a cima ver as vistas.

 

De manhã a praia, à tarde a montanha.

Privilégios, privilégios.

 

 

 

 

Reporter Timor às 09:26 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 15.04.14

Páscoa

Uma das vantagens de viver em Timor-Leste é que as efemérides católicas são assunto sério. Seríssimo.

 

Ora vai de ter 4 dias (e MEIO!) para as celebrações que se seguem.

 

TAU!

 

Reporter Timor às 09:29 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 11.04.14

O bom, o mau e o pinga-amor

 

Primeiro foi o polícia sinaleiro versão o-que-eu-gostava-mesmo-era-de-nadar-mas-já-que-me-mandaram-para-aqui-vou-personalizar-a-coisa.

 

Seguiu-se o polícia agressivo mas com preocupações ao nível da violência de género, seja lá o que isso for.

 

Hoje foi o polícia-amor a atravessar a estrada de mão dada a um civil (note-se que eu disse UM e não UMA!). Estavam fora da passadeira mas isso não interessa nada, que o que queremos todos é paz e amor. Ah! e paz no amor também, evidentemente! 

Reporter Timor às 07:09 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 08.04.14

Afinal era mesmo um polícia

Parei o carro e dirigiu-se a mim de punho fechado.

 

- Se fosses um homem batia-te. A tua sorte é que eu respeito as mulheres.

 

Ficámos assim.

Reporter Timor às 00:43 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 03.04.14

Quando eles não se entendem

- Eu falo portuguêsmente!

 

- Desculpe, você fala espanholmente que eu cá não entendo nada.

 

Reporter Timor às 08:37 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Aquele momento...

...em que ficamos na dúvida se é um polícia sinaleiro ou um professor de natação.

Reporter Timor às 01:10 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 02.04.14

Os amigos do alheio

E pronto, foram-se os sapatos. Ou melhor, as sapatilhas. Três pares assim de uma vez que esta malta não se acanha.

 

A culpa é nossa que os deixámos lá fora. Mas, convenhamos, as minhas sapatilhas estavam ali a jeito porque pisei merda (peço desculpa, não há outra maneira de expor o assunto e as coisas são o que são) para além de que, de tão velhas, já não tinham muita serventia. O que demonstra que os amigos do alheio não são gente dada a esquisitices e só lhes fica bem.

 

Mas a sério que alguém vai usar aquilo?

Reporter Timor às 03:23 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

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