Sobre a Austrália

 

“Uma terra australis recenter inventa sed nondum plene cógnita” ou “uma terra austral recentemente achada, mas ainda não plenamente conhecida” (Orôncio Finé, 1531)

 

Ainda não fui à Austrália mas não há-de faltar muito para pôr o pezinho lá onde tudo é tão rico, abundante e caro. Prevejo um choque cultural ainda maior depois de um ano e meio de vida em Timor. Darwin, Sidney e Merbourne são, para já, os lugares que quero visitar num país que ainda pertence - não percebo porquê - à rainha de Inglaterra.

 

Conheço vários australianos mas não posso dizer que conheça bem a cultura. Sei que é gente de muito, e bom, alimento, que não saem de um café ou restaurante sem deixar uma choruda gorjeta, que não lhes faltará muito para levar os aborígenes à extinção.

 

Em Timor, Portugueses e Australianos são como água e azeite. Há uma espécie de luta silenciosa entre os ex-colonos, nós, e os colonizados à espera de colonizar - maldito petróleo! -, eles. Mas gostei de saber que o Embaixador da Austrália em Díli namora com uma portuguesa.

 

Cheguei a levantar a questão - porque é que não se dão os tugas com os oz? Recebi uma resposta a brincar e muito a sério, se tal é possível, que o problema é que os portugueses foram os primeiros a chegar à Austrália mas não havendo nada para comercializar se puseram a andar. Daí o ressentimento, o orgulho ferido pela rejeição. Os portugueses preferiram a Ásia do Sudeste, a grande linha de comércio que ligava Malaca às ilhas das especiarias. Preferiram, e ainda bem, Timor e o seu Sândalo ao deserto australiano.

 

Às vezes tenho a sensação de que a minha vida em Timor acontece num fio de conversa interminável porque agora me lembro do que me dizia um amigo australiano sobre o facto de ter nascido num país tão rico e próspero. Dizia ele que os pais foram ficando mais ricos com o passar dos anos sem para isso terem feito muito mais do que faziam antes. E acrescentava que tinha sido um mero acaso ter nascido ali, que não se deve a ele a vida despreocupada que leva em relação ao futuro.

 

Na semana passada, numa outra conversa que entrou no mesmo fio condutor, dizia eu que o melhor que me tinha acontecido era ter nascido num país pobre. De outra forma, julgo, jamais teria emigrado.

Reporter Timor às 06:07 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos