Ainda te lembras desta luz, T?

 

Há uns tempos um amigo postava no facebook uma foto maravilhosa de Lisboa e do rio lembrando-se, ao que tudo indica - que amor! - de mim que ando privada desses momentos.

 

Na última semana vieram as saudades. A culpa é de Saramago e d’O Ano da morte de Ricardo Reis. Saudades da cidade e do rio, tantas! Agora já só tenho mar, um mar que não traz ondas, vive calmo e atento como um crocodilo. A luz é outra, maravilhosa também mas diferente, não há pastelarias nem vendedores de castanhas.

 

Nas ruas de Díli vende-se de tudo um pouco. Galinhas e pássaros, frutas e legumes, jornais e dinheiro indonésio. Há as tiga-rodas, ou triciclos, que vendem crédito para o telemóvel (aqui chama-se pulsa) algumas guloseimas, às vezes côcos.

 

A marginal tem Portugal no nome mas este mar tem tanto de cor como aspecto de céu. Imperturbável, excepto quando chove. Nesses dias anda-se nas ruas sem sapatos, os miúdos jogam à bola para serem os Ronaldos da Ásia e a praia enche-se de gente que nunca tira a roupa. Quase sempre chove torrencialmente e é nestas alturas que a cidade se anima.

 

Tenho saudades de Lisboa, e do frio, imagine-se, mas há qualquer coisa neste país que não sei explicar. e é sem dúvidas que vivo intensamente.

 

Reporter Timor às 13:20 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos