Planeamento Familiar

Em Timor a maternidade acontece muito cedo na vida das mulheres. É por isso comum que aos 20 anos as raparigas tenham cinco ou seis filhos. Diria mesmo que aqui essa é a ordem natural das coisas, já que a vida de cada um é estruturada em redor do conceito família. Por exemplo, quem tem uma vida socioeconómica mais favorável fica geralmente encarregue de outras crianças da família, as quais cria como suas durante toda a vida; os katuas, ou avós, são as figuras basilares da família e as suas opiniões, mais do que respeitadas, são lei; e sim, o facto de eu não ser casada nem ter filhos causa alguma estranheza.

Mas adiante. Dizia eu que com tantos filhos por casal não imaginava que houvesse planeamento familiar, pelo menos não tal como nós o conhecemos na Europa. Mas ele existe, de facto.

Soube-o porque a minha mana, a senhora que cuida aqui da casa, me enviou uma mensagem a dizer que hoje teria que faltar. O motivo: uma consulta de planeamento familiar. (Aqui vale a pena dizer que os meus básicos conhecimentos da língua local me fizeram dar mais atenção às palavras “planeamento” e “familiar”.)

Mas, afinal, em Timor-Leste a saúde materno-infantil é gratuita e universal. E a minha mana que tem 27 anos e, na melhor das hipóteses, a quarta classe sabe que é importante ir às consultas. Tanto quanto sei não está grávida mas de qualquer modo é bom saber que o país está a desenvolver-se, que as pessoas estão informadas e que têm acesso a cuidados de saúde que damos por garantidos nos chamados países desenvolvidos.

E a fé que tenho neste país que cresce de dia para dia e que cada vez me surpreende mais…
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