Nómada

Tinha 15 minutos para chegar ao dentista, do outro lado da cidade, em Kuta, Bali. Entrei no primeiro taxi que encontrei e disse "To Galeria Bali, please. Can you make it 10? Thank you". E foi tudo o que se disse em inglês.

 

Depois disso, descobrimos que Timor nos unia e portanto foi em tétum que a conversa se desenrolou, fluindo bem mais depressa do que o trânsito, diga-se. António, nascido em Oecusse, está a estudar Ciências Políticas na Indonésia. Estuda e trabalha, imagino que para se sustentar mas também para ajudar a família. Ou não fosse ele timorense.

 

A história repete-se. Este povo anda pelo mundo, ganha dinheiro e/ou conhecimento e depois volta à terra, à família.

 

A novidade, para mim, foi o quanto me comovi por me sentir em casa pelo simples facto de falar em tétum. Uma língua em que, não sendo nativa, me vem seguramente do coração. Ou isto ou sou uma maricas do pior!

 

Ser nómada é isto, senhores! E sim, já estou em casa, na minha casa que (também) é Timor.

Reporter Timor às 03:08 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos