Humilde homenagem

 

Os meus pais, pessoas cheias de mundo (na cabeça, mas sobretudo no coração) "obrigaram-me" a crescer num ambiente diverso, múltiplo, criativo. 

No seu círculo de amigos pode-se encontrar gente de várias latitudes, cores e personalidades.

 

Uma dessas pessoas nasceu em Timor-Leste. Leonor - ele há nome mais cândido? - foi a primeira timorense que conheci. Cheia de energia, sorridente sempre, humilde como poucos, uma mulher determinada, espírito guerreiro.

 

Chegou a Portugal nos anos 80 com o marido, militar português, e as três filhas de ambos que andaram comigo na escola. Lembro-me vagamente de a ouvir falar da tristeza que sentia pela ocupação indonésia e o sofrimento da família. Anos mais tarde, já viúva, criou as filhas sozinha e depois ainda os netos. Acho que nunca a vi sentada, repousada, no descanso dos deuses, era vê-la sempre a trabalhar numa correria desenfreada como se o tempo não lhe chegasse para viver.

 

Morreu na semana passada, vítima de cancro.

 

 

 

 

 

 

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