Tétum-Bahasa-Guês

Tétum, Português, Bahasa Indonésio, Inglês.

Em Timor-Leste a língua varia de acordo com o contexto. Fala-se tétum no contacto com os diferentes distritos e ainda com estrangeiros, nas escolas aprende-se português e é em português que se escrevem os documentos oficiais, e diria que todos, ou quase todos, falam fluentemente indonésio. Por exemplo, para negociar nos mercados é essencial saber os números em Indonésio, mesmo quando estamos a falar Tétum. Ou, no meu caso, a tentar falar Tétum.

Nestes 15 mil km de ilha falam-se várias línguas e dialectos: Mambae, Makasae, Tetum Dili, Tetum Terik, Baikeno, Indonesio, Bunak, Fataluku e Português. E é frequente uma conversa ter quatro línguas à mistura ou tétum-bahasa-guês, como me disse há dias um colega Timorense por graça.

Comecei ontem um curso intensivo de tétum. É a primeira vez que aprendo uma língua e a treino todos os dias. E, sejamos honestos, pode ser difícil mas é a melhor maneira de nos tornarmos fluentes. Tão diferente do Português, aprender Tétum é como jogar um jogo. O mais difícil, so far, são os sons. É a primeira vez que tenho que ler os "h"'s desta vida para me fazer entender e, convenhamos, não é coisa que me saia naturalmente.

Mas depois há palavras e significados fofinhos como "Tasi ibu" ou "praia" que, traduzindo literalmente, significa "boca do mar". Outras, ainda, soam mal. "Koko" (sim, lê-se cocó!) significa "experimentar" ou "testar" e dá frases como "Hakarak koko, mana?" ou "quer experimentar, mana?" e é impossível dizer "sim" ou "los", em Tétum, sem pensar bem na resposta.

Findo este curso, segue-se Indonésio.
A Ásia é o futuro e o meu futuro tem Tétum, Bahasa, Português e Inglês.

Nota: "Bahasa" significa "língua" em tétum e está frequentemente associada ao Indonésio.
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