A casa

Foi há um mês que se fechou mais um ciclo em Timor-Leste.

 

A casa azul cueca ou "gecko house", como foi inicialmente baptizada, vai ficar para sempre na memória de um 2013 maravilhoso. O Bob Dylan, esse sábio, defendia que "não há nada mais constante do que a mudança" e eu concordo em absoluto. 2013 serviu-me para consolidar a mudança - radical - iniciada em 2012. E foi por isso que dei continuidade a uma sucessão de pequenos ajustes a uma cabeça, ou vida, que se pôs do avesso para tentar ser e fazer melhor. Mudei de casa, de bairro, de rotina...e, uma vez ou outra, de pessoas. Porque isso também faz parte.

 

Fui muito feliz em Tuana Laran. E foi há um ano que cheguei a casa e encontrei isto à minha espera.

 

 

Vou ter imensas saudades da família Lobato que me tratou como mais um membro da família, que me batia à porta e telefonava (até do estrangeiro!) a perguntar se estava bem, que me segurou a mão, literalmente, depois de uma noite do inferno por causa de um engraçadinho que achou que a minha janela era porta (gosto tanto de eufemismos!).

 

Serei ainda mais feliz na nova casa, que ainda me cheira a novo. Porque - li ontem - não interessa o que está dentro das casas mas o que sentimos dentro delas. Estou convencida de que vivo na "mansão de Comoro" que é, imagine-se, a casa mais pequena onde já morei. 

 

Hoje li Julian Barnes e fez-me sentido.

“Juntamos duas coisas que ainda não se tinham juntado. E o mundo transforma-se.”


E é isto.


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