Mandela

 

Morreu Madiba, "o político global", como lhe chama o jornal Expresso, ou “o estadista mais amado” do mundo, segundo o New York Times.

Hoje, o mundo perdeu um homem bom, da paz, que mudou o seu país e o mundo, que fez história.

 

Acho incrível que, como primeiro Presidente negro da África do Sul, tenha tido um só mandato e pelo facto de ter abandonado a política com o mesmo desprendimento com que dizia que “Toda a gente morre.” Condenado a prisão perpétua, cumpriu 27 anos e só aceitou ser libertado com a condição de que todos os presos políticos também o seriam, assim como a oficialização do fim do apartheid. Que homem, que exemplo...


Sobre ele, escreveu Henrique Monteiro no seu blogue.

 

"Eu estava com o repórter fotográfico António-Pedro Ferreira, o meu amigo Tó-Pê, num clube de jazz em Joanesburgo. Mandela tinha sido libertado há pouco, De Klerk ainda era o presidente da África do Sul, mas o apartheid desmoronava-se aos poucos.

 

No palco, um conjunto de cinco ou seis elementos tocava standards; à volta das mesas jovens brancos e negros bebiam e ouviam - mas separados, brancos numas mesas, negros noutras. De repente, os músicos tocam What a Wonderful World e o vocalista, imitando Louis Armstrong o melhor que sabia, falava sobre as árvores verdes, as rosas vermelhas, as nuvens brancas o céu azul e o abençoado brilho do dia. E nesse momento mágico uma jovem branca, loura, levanta-se da mesa dá dois passos e convida um jovem negro para dançar.

 

Ele levantou-se e aceitou. E enquanto os dois dançaram o mundo era maravilhoso, os músicos geniais e todos nós vivemos uma espécie de epifania. Eu e o Tó-Pê chorámos (ele autorizou-me a confessar isto). E todos naquela sala, que nos misturámos de imediato, pensámos, talvez erradamente, que o mundo era mesmo maravilhoso e dali em diante o mal terminaria."

 

No dia em que completou 90 anos de vida, Nelson Mandela deixou uma mensagem para a minha geração. E para as próximas.

 

"Onde quer que haja pobreza e doença, onde quer que os seres humanos estejam a ser oprimidos, há trabalho a fazer. Após 90 anos de vida, é tempo de novas mãos empreenderem a tarefa. Agora, está nas vossas mãos".


Deixo-vos a primeira entrevista de Nelson Mandela, para a televisão. Tinha 48 anos na altura e estava longe de imaginar o impacto que a sua luta que viria a ter à escala global.

Há pessoas que nunca morrem.


Reporter Timor às 01:18 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos