Where is home?

Há dias dei por mim a fazer uma pergunta que a minha interlocutora considerou "curiosa". Já nos tínhamos cruzado algumas vezes, sabia-lhe o nome, faltava a morada (entenda-se: o país de origem). E em vez do habitual "de onde és?", saiu-me um "onde é a tua casa?" ou em inglês - que por estes dias me soa melhor - "where is home for you?".

 

Não sendo muito concreta, a resposta "em todo o lado" ao melhor estilo sou-do-mundo-pá! encaixou-se perfeitamente. Eu, por exemplo, adoptei o conceito casa-é-onde-estão-as-minhas-pessoas. Tenho pessoas em todo o mundo.

 

Mas, enfim, a conversa continuou e fiquei a saber que ela vai "a casa" no Natal, que é como quem diz, à Alemanha. Eu, como vou ao Japão e levo parte da minha casa comigo, e já que o vintage está tão na moda, restam-me as cartas de amor que enviarei para os meus pais. O que nos leva à reflexão lá em baixo onde termina este namoro (uma maneira diferente de me referir a este texto, post, conversa ou estava-aqui-desocupada-e-resolvi-dedicar-me-à-prosa).

 

Uma pequena pesquisa no google levou-me:

 

Ao tempo português.

 

  

 

Aos anos da ocupação indonésia.

 

 

Ao Timor moderno, o único que conheci.

Já não há coleccionadores de selos. Hoje queremos vistos no passaporte e temos, forçosamente, muito mais do que isso. O que se perde em tempo para sonhar, ganha-se em mundo evidentemente.

 

Esta manhã ele disse-me "vou enviar postais de natal para a família". Não disse casa porque casas há duas. E eu, que também entrei na onda dos selos, puxei o novelo. De lá saiu "o meu avô é coleccionador de selos". Ele, que viaja como um cientista transforma fotografias em postais, escrevendo-lhes nas costas. E envia-os para casa, que são duas. Este Natal serão três.

 

Reporter Timor às 02:39 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos