Em bom

 

Quando, no final de 2012, disse que aquele tinha sido o melhor ano da minha vida, precavida, achei por bem acrescentar um parêntesis - so far. Como jornalista sei que as palavras ficam e, uma vez escritas, são energia e são compromisso e eu estava muito apostada em não me despegar desta felicidade, não fosse ela largar em fugida.

 

Sobre 2013 tenho a dizer que foi um ano de trabalho, com a mudança de emprego, o voluntariado e a televisão, as línguas que aprendi, a responsabilidade acrescida. Foi um ano de abraços e conversas demoradas à mesa, com areia nos pés ou o ar da montanha. Foi um ano em bom, como nunca antes porque o vivi como se estivesse a começar a viver, o que não é inteiramente mentira.

 

Em 2013 tirei a carta e comprei um carro, vi nascer e pôr-se o sol, nadei de noite e à chuva, corri e dancei na praia, li Saramago como quem escuta, ajudei como um dia me ajudaram, abordei desconhecidos, contei histórias na primeira pessoa, comi com as mãos e bebi chá sem açúcar, andei de mão dada.

 

Foi um ano de emoções (também) porque voltei a casa, de surpresa, após quase dois de ausência. Já disse que chorei, aliás, escrevi-o. Saudades daquela casa tão cheia de vida, dos barulhos que vêm da cozinha e da sala, dos miúdos, tão crescidos!, e das minhas irmãs que me olham como se falassem. Saudades da minha mãe que me pediu para ficar, do meu pai que se despediu como se eu fosse ali e já voltasse. As certezas de quem tem tanta fé em mim…

 

Para explicar 2013 não há melhor do que isto: “a vida transborda o conceito”.

 

2013 foi em bom e ainda é. Não termina aqui, mas no Japão, e continua em Timor porque 2014 não é para recomeços. É este o meu desejo este natal. Isto e o que pedi à minha família - abracem-se muito por mim.

Reporter Timor às 08:24 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos