Japão #1

Há dois anos longe de casa, queria um Natal com frio. De caminho, achei que fazia sentido trocar o bacalhau pelo sushi e o vinho pelo sake. Decididamente, precisava de férias e de desenvolvimento. Destino: Japão.

 

Preparam-me para gastar 100 dólares por noite em alojamento, para comprar um passe de 400 dólares para as deslocações de comboio e para não encontrar uma alminha que falasse inglês. Em suma, o cenário apresentado era de que iria ficar na penúria, muitas vezes perdida, mas que sim, confirmavam, era a viagem da minha vida. Da nossa, que isto sozinha não teria graça! Surpresa das surpresas, foi quase tudo ao lado. Encontrámos grandes pechinchas e houve muita alma caridosa disposta a saltar da sua bicicleta para nos dar informações num inglês, vá, aceitável.

 

Comecemos por Fukuoka, onde chegámos de noite. No aeroporto uma estreia: tiraram-nos fotografias e impressões digitais. Mais difícil foi explicar que não tinha reservado hotel, dada a insistência lá dei o nome de um Hostel que vinha no Lonely Planet. A conversa foi mais ou menos assim:

 

- Speak Japanese?

- No, can we go on in english?

- Where you stay? Hotel?

- I don't know yet.

- How long (will you stay) in Japan?

- 17 days.

- Uh...Hotel?

- As I said, I don't have one yet.

- Ok, your Hotel please?

 

Menti. E eles perceberam mas não me podiam deixar passar sem a desinformação prestada e, contente da vida, fui à minha vida. Depois disto, debaixo de uma chuva miúda, aprendemos que no Japão o booking é obrigatório.

 

Mas os nossos amigos japoneses foram solidários, a começar por um casal fofinho muito embriagado que ficou uma eternidade a consultar o google maps no próprio telemóvel à procura do hotel (aquele mesmo que indiquei ao polícia de emigração) mas continuámos perdidos. Mais à frente, um homem escreveu uns caracteres japoneses no telemóvel (eu já a dizer mal da minha vida) para nos mostrar a tradução: far away. A sorte foi termos encontrado três amigos dispostos a caminhar connosco em direcção ao hotel que, maldita sorte, estava lotado.

 

Depois da chuva, os avanços e recuos numa cidade já adormecida, do pobre taxista (esse sim, não percebeu nadinha do que dissemos) que dispensámos porque ele seria incapaz de dizer que sim, estava perdido, lá encontrámos onde ficar. Foi o hotel mais caro mas não o melhor de toda a viagem, ainda assim, acessível. 

 

No dia seguinte fomos ao cais, vimos o mercado do peixe, comemos e comemos e comemos. E esse foi só o princípio de uma grande aventura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No próximo post, Hiroshima, a minha cidade nipónica preferida.

 

Reporter Timor às 05:41 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos