Japão #2

E agora um post feliz.

 

Hiroshima meu amor foi um filme que vi há muitos, muitos anos, nas cadeiras do liceu. Na verdade o título era Hiroshima mon amour, lá do país da baguete!, e devo dizer que por razões completamente opostas este poderia ser igualmente o título da minha passagem por aqui. 

 

Não sei se foi o Natal ali passado, tão em paz senhores!, se foi a tatami room (quarto tradicional japonês), se a ilha Miyajima, se as ostras (prato típico da terra), eu sei lá...podia ficar aqui dia e meio nesta prosa. Amei Hiroshima!

 

Comecemos por Miyajima, a primeira aventura em Hiroshima, dica de um brasileiro-japonês que conhecemos no Hana Hostel que, diga-se de passagem, é um Hostel muito simpático e barato.

 

Chegámos de barco e portanto vimos este monumento, a grande atracção da ilha, de outra perspectiva. Assim de repente, a ilha não teria muito mais do que aquilo - pensei - e enganei-me. Em pleno Natal, tínhamos renas por toda a parte, uma rua cheia de petiscos, templos vários, um parque florestal para descobrir e um sossego difícil de explicar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De volta à cidade, fomos visitar o A-Bomb Dome. Era a antiga perfeitura da cidade e após a bomba atómica ficou assim. Com uma cidade destruída, os habitantes de Hiroshima puseram mãos à obra por vários longos anos e as opiniões sobre este edifício dividiam-se. Havia os que entendiam que tudo o quanto eram vestígios de destruição deveriam levar chá de sumiço, outros achavam que era importante manter esta memória viva, pela paz. Ganhou a segunda opção e por isso este edíficio ir-se-á manter erguido para sempre.

 

 

Apesar do sofrimento causado por esta tragédia, Hiroshima é uma cidade linda, em paz, que continua a lutar pelo fim das armas atómicas. Daqui já saíram centenas de cartas, muitas delas dirigidas a Barack Obama.

 

 

Ostras às 10h da manhã. Recomendo!

 

 

No Hiroshima Memorial Peace li uma coisa absolutamente nova para mim: a história da bomba atómica.

 

Tudo começou com a fuga de Einstein para os Estados Unidos que, sabia-se, andava a trabalhar numa bomba incrivelmente potente. Daí até os EUA terem em sua posse duas bombas foi um passinho. Mas desengane-se quem pensa que as ditas cujas foram construídas para cair sobre o Japão ou sobre Hiroshima ou sobre Nagasaqui. Organizou-se uma conferência entre vários países para decidir em que solo se deveria usar este 'brinquedo' e com que objectivo.

 

A Rússia estava disposta a juntar-se à guerra como aliada mas, pelo que percebo, não estava muito entusiasmada com sangue, suor e lágrimas. Vai daí, ficou a promessa, larga-se a bomba e no dia seguinte a Rússia declara guerra ao Japão para obrigar o país a render-se. Nesta conferência decidiu-se não dar pré-aviso e foi assim que, inesperadamente, e porque o sol brilhava sem nuvens em Hiroshima que esta cidade sofreu a maior catástrofe de sempre naquele dia fatídico. Isso e o facto de não haver ali presos políticos. 

 

Como se sabe o Japão rendeu-se e os EUA ocuparam o território com a missão de manter a paz. Para quem se interessa pela história, recomendo que vejam O Imperador, de Peter Webber.

 

 

 

Depois disto, caramba!, era Natal. Fiquei com a impressão de que a época natalícia não tem um impacto muito grande para os japoneses que continuavam nas ruas, às 23h, regressados de um dia de trabalho ou que a beber entre amigos num bar, sem stress, sem compras.

 

E foi aqui (não é exagero nenhum dizê-lo) que vivi o melhor Natal de sempre. 

 

 

Antes da nossa partida, a visita ao castelo da cidade que foi reconstruído após a bomba atómica.

 

 

 

 

 More to come!

 

Reporter Timor às 04:58 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos