Viajar sem destino é outra coisa

Sempre achei uma grande parolice essa coisa de viajar sem destino. Como se alguém minimamente inteligente se metesse num carro para andar por aí aos ziguezagues. Acho que quem vai assim, ao acaso, não irá muito longe. Nem nas viagens nem na vida.

 

Viajar sem destino tem que ser esta coisa de ir e não saber exactamente o que nos espera. Ou quem nos espera. Ou quando, e se, regressamos. E neste sentido, Timor foi a minha viagem sem destino. Melhor: Timor é a minha viagem sem destino. É que o capítulo não está fechado, senhores!

 

Ainda pus Díli no Google maps. apareceu-me a Catedral, em Vila Verde, nem outra coisa poderia aparecer. De resto foi tudo absolutamente novo. e surpreendente. Se encontrei um novo sentido para a minha vida? Como não?! Vivi uma vida inteira (cof cof, que isto já é muita idade) a achar que sofria de claustrofobia. E nunca me senti tão livre como agora que vivo na ilha.

 

Foi ontem e foi há uma vida que cheguei a Timor. A sério, um ano dá para isto tudo?! No dia em que fechei esse ano e comecei o segundo acordei às 6h da manhã para um duche gelado (na verdade a ideia era outra, mas a gente acostuma-se). Vinte minutos depois estava na praia. Ligámos a câmara, começou-se a gravar. Atirei as perguntas debaixo do sol quente numa conversa perpendicular ao pontão mar adentro. Lembrei-me das entrevistas no Parque das Nações, lá depois da FIL, da ponte sobre o Tejo. Do H. e do S. e do A. e do D., companheiros de primeira viagem na TV.

 

O resto fica para a estreia, na RTP Internacional. É que eu estou de volta e nem sei como isto aconteceu. Porque no dia em que desci de elevador, e depois a rua que me levou ao Marquês de Pombal, para não mais voltar àquele lugar, achei que estava a virar costas à sorte. Lembro-me perfeitamente de ouvir os meus passos e de pensar que um dia os haveria de chorar.

 

Sim, viajar sem destino não existe. E o destino sem viagens também não.

Reporter Timor às 01:25 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos