Luta de Galos: a experiência

Três anos em Timor e nada de ver crocodilos. Os meus colegas dizem que o galo não é lulik (sagrado) mas tenho cá para mim que deve estar lá perto. Disseram-me que lhes dão banho, carne para comer e vejo-os com frequência ao colo dos donos entre várias e largas festas pelo meio. No fundo, representa (também) a cultura timorense tendo nas lutas de galo o expoente máximo desta relação homem galinácio.

 

Isto para dizer que no Sábado fui assistir a uma luta de galos. Cheguei, timidamente, pus o meu tétum em acção para perceber se os malae'e podiam assistir, não tirei fotos (não queria chatear ninguém) e devo dizer que foi uma experiência muito interessante. Há uma casa, telhado palha escura qual uma lulik (casa sagrada), uma arena ladeada de vidro lá no alto, uma portinhola para os guerreiros.

 

O centro de tudo: as apostas. Os semblantes sérios e as vozes em uníssimo: aposta, aposta! Os galos que começam a ser atiçados já no colo dos donos, as facas amarradas às patas, o pêlo que se lhes eriça quando enfurecidos e as apostas terminam quando o debate inicia. Vi duas lutas, ambas muito breves e fatais para os vencidos.

 

Não posso dizer que gostei, afinal sou uma ribatejana com aversão a touradas, mas não podia deixar Timor sem viver esta experiência, que valeu a pena para compreender melhor as gaiolas apinhadas por toda a cidade, os galos por toda a parte, os cocorococó às 3, 4 e 5 da manhã.

Reporter Timor às 02:40 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos